EXPOSIÇÃO

Lisboa – Punta Arenas – Santiago do Chile (2020-2021)

A exposição será inaugurada em Lisboa, Portugal, em Maio de 2020  em 3 espaços da EGEAC – Camara Municipal de Lisboa: a Cordoaria Nacional – Torreão Nascente, edifício do século XVIII que é monumento nacional e que hoje é um dos principais centro de exposições artísticas portuguesas, a galeria do Padrão dos Descobrimentos e a Galeria da India. A Casa da América Latina, será  o quarto polo da exposição explorando-se assim o eixo junto ao rio Tejo permitindo um percurso pedonal entre os espaços que tem tanto de simbólico quanto de efectiva relação com o conceito e a temática da exposição.  A exposição em Lisboa encerrará em Setembro de 2020.

Posteriormente, a mostra será realizada numa versão editada na cidade de Punta Arenas, durante o mes de Outubro no Museo Regional de Magalallanes e no Centro Cultural e finalmente  em Santiago do Chile no Museo Nacional de Bellas Artes, no MAVI (Museo de Artes Visuales) e no Centro Cultural Castillo Hidalgo del Cerra Santa Lucia no inicio de 2021.

FUNDAMENTAÇÃO

Como fazer uma mostra artística “representativa” de um país? Qual o melhor modo de abordarmos um território desconhecido? Como evitar a usual imagem que remete para o modelo das feiras mundiais? Como abstrair-se ou omitir discursos construídos pelo imaginário de uma ditadura? Como reconsiderar uma história (oficial) onde o colonialismo genera o capitalismo neoliberal? Como devolver a visão de “exotismo” sobre um país europeu? Como conhecer Portugal?  O que é Portugal?

Estas questões podem igualmente colocar-se do mesmo modo sobre o Chile e a  “chilenidad”, são perguntas encabeçadas pelo adverbio “como”, e pretendem interrogar o “modo”, a forma, de abordarmos algo que não se conhece, que talvez se intua ou de que se tem uma imagem totalmente distorcida pela distância e o tempo. Estas são perguntas que definem estratégias de aproximação à historia de um país,  mas também transportam imagens do presente.

Com “Incognitum” queremos afirmar antes de tudo o muito pouco que sabemos uns sobre os outros (Chile e Portugal), mas também  aludimos ao período dos descobrimentos e ao colonialismo europeu que conforma os actuais estados nacionais; mas esta imagem sobrepõe-se ao convocar os artistas portugueses ou lusófonos a apresentar Portugal como uma terra desconhecida, composta por diversas e por vezes contraditórias camadas de informação, desde a construção Salazarista sobre o passado imperial e colonial de Portugal até  ao olhar  paternalista sobre as ex-colónias depois da revolução do 25 de Abril.

“Terra Incógnita” era o conceito com que se designavam nos mapas antigos os territórios inexplorados, ou seja, a terra desconhecida pelos cartógrafos europeus da época dos “descobrimentos”. A Terra Incógnita era todo o território mais imaginário do que real que estava fora do conhecimento e entendimento europeu; era o “Outro” obscuro e estranho que estava por conquistar. O fetiche exótico que se queria possuir.

Por sua vez no Chile, o “historicismo” permanente das praticas artísticas numa teimosa dependência colonial que não vai além do centro hegemónico do passado e que foi Madrid, Paris, Londres, Nova Iorque e que leva a esquecer uma parte fundamental da história chilena, um país pequeno que partilha muitas características com Portugal.

O “descobrimento”, “conquista” e “colonização”  da América começa com o Tratado de Tordesilhas, um acto arbitrário mediante o qual, em 1494 o Papa Alexandre VI divide o mundo entre as coroas de Espanha e Portugal, deixando as Índias Ocidentais para Espanha e as Orientais para Portugal. Daí em diante, a construção da história ocorrera’ segundo a linguagem do império dominante até chegarmos às leituras descolonizadoras sul-americanas que questionam a referida construção.

Por outro lado Portugal foi o país europeu que manteve mais tempo um regime colonial, até meados dos anos 70 do século passado. Não só os países colonizados mas também os países colonizadores vivem ainda um momento pós-colonial. No caso português, o passado colonial recente deixou ainda feridas abertas e dai que muitas vezes o silêncio, o que não significa indiferença, seja muitas vezes a atitude dominante frente a um passado que é doloroso para todos: para quem foi colonizado mas também para quem colonizou e ainda para quem descolonizou.

De Portugal, o Chile quase nada sabe.  Desconhece-se a corrente migratória portuguesa que chegou quando ainda era colónia, tanto que se atribui aos espanhóis apelidos tradicionais chilenos mas que são de origem portuguesa como Barros, Pinto, Correa, Antunes, Pereira, Santana,  Almeida,  Andrade, etc.

Do Chile, os portugueses também pouco sabem. As gerações mais velhas conhecem o período de Unidade Popular e o Golpe de Estado que derrubou Allende e que levou alguns chilenos ao exílio em Portugal, bem como algumas personalidades conhecidas como  Raúl Ruiz  que encontraram aqui uma paisagem afectiva próxima do país natal.

E no entanto, os nossos países partilham uma história sísmica violenta, uma extensiva faixa marítima e um século XX com uma longa ditadura que marcou o desenvolvimento sócio cultural dos dois países. Inevitavelmente este projecto comporta uma re-leitura política do “descobrimento”, onde os curadores e artistas participantes questionam o presente criando uma exposição que ofereça uma imagem do país que vá além do habitual postal turístico e que mostre um contexto transcultural em movimento constante, uma encruzilhada de questionamentos onde, talvez, se vislumbrem novos paradigmas de encontros sul-americanos e  ibéricos.

Ao cumprir-se os 500 Anos da Circum-navegação de Fernão de Magalhães, queremos que as nossas culturas se encontrem e se conheçam melhor através das linguagens artísticas.

EIXOS CURATORIAIS E ARTISTAS SELECCIONADOS

A exposição e artistas seleccionados articulam-se em torno de três eixos:

  1. A Reflexão colonial.
    1. O Incógnito ou aquilo que desconhecemos ou percebemos mediante os nossos condicionamentos culturais.
    1. A Viagem, não só no sentido físico de deslocação de um lugar para o outro, como no sentido psicológico de viagem interior tal como foi descrita por Fernando Pessoa: “A melhor maneira de viajar é sentir”.

Os artistas seleccionados são de Portugal e do Chile, o que não significa necessariamente que tenham nacionalidade portuguesa ou chilena ou que residam no país correspondente, ou seja, trata-se mais de pertencer a uma geografia afectiva, cultural ou vivencial mais que a uma nacionalidade.

Lista de artistas:

  1. Ana Vaz (1968, Brasília, Portugal; vive em Lisboa)
  2. Andrea Wolf (1975, Santiago de Chile, vive em New York, USA.)
  3. Anelys Wolf ( 1974, Valdivia, Chile; vive em Ancúd, Archipiélago de Chiloé-Chile)
  4. Ângela Ferreira (1958, Moçambique; vive em Lisboa-Portugal)
  5. Claudio Correa (1972, Arica ,Chile; vive em Santiago-Chile)
  6. Délio Jasse (1980, Luanda-Angola; vive em Lisboa e Milão)
  7. Demian Shopf (1975, Frankfurt am Main, Alemanha, vive em Santiago-Chile)
  8. Enrique Ramírez (1979, Santiago de Chile; vive em Paris-França)
  9. Fernando Prats (1967, Temuco, Chile; vive em Barcelona-Espanha)
  10. Filipa César (1975, Porto-Portugal; vive em Berlim-Alemanha)
  11. Francisco Navarrete (1986, Santiago de Chile; vive em Barcelona-Espanha )
  12. Francisco Vidal (1978, Lisboa; vive em Lisboa-Portugal)
  13. Kiluanji Kia Henda ( 1979, Luanda-Angola; vive em Lisboa e Luanda)
  14. Luciana Fina (1965 Bari-Italia; vive em Lisboa, Portugal)
  15. Mónica Bengoa (1969, Santiago de Chile; vive em Santiago-Chile)
  16. Narelle Jubelin (1960, Sidney, vive em Madrid)
  17. Salomé Lamas (1987, Lisboa; vive em Lisboa-Portugal)
  18. Sebastian Jatz (1980, Santiago de Chile: vive em Santiago – Chile)
  19. Vasco Araújo (1975, Lisboa; vive em Lisboa-Portugal)
  20. Voluspa Jarpa (1971, Rancagua, Chile; vive em Santiago-Chile)

As obras dos artistas chilenos Juan Davila, Eugenio Dittborn e Paz Errazuriz farão parte da exposição como referentes históricos e conceptuais do projecto.

Lisboa – Punta Arenas – Santiago do Chile (2020-2021)

La exposición srá inaugurada en Lisboa, Portugal, en Mayo de 2020  en 3 espacios del EGEAC-Camara Municipal de Lisboa: la Cordoaria Nacional – Torreão Nascente, edificio del siglo XVIII que es monumento nacional y uno de los principales centros de expocisiones artísticas portuguesas, en la galeria del monumento Padrão dos Descobrimentos y la Galeria da India. La Casa da América Latina, será  el cuarto polo de la exposición explorando así un eje junto al río Tejo y permitiendo un recorrido tanto simbólico como afectivo en relación a la temática y concepto de Incognitum. La exposición en Lisboa cerrará en septiembre de 2020.

Posteriormente la muestra será realizada en una versión acotada en la ciudad de Punta Arenas, durante el mes de octubre en el Museo Regional de Magallanes y el Centro Cultural de la ciudad. Finalmente la exposición se trasladara en su versión extendida a Santiago de Chile, para ser inaugurada a principios de 2021 en el Museo Nacional de Bellas Artes-MNBA, en el Museo de Artes Visuales-MAVI y en el Centro Cultural Castillo Hidalgo, del Cerro Santa Lucia.

FUNDAMENTACIÓN

¿Cómo hacer una muestra artística “representativa” de un país? ¿Cuál es el mejor modo de acercarse a un territorio desconocido? ¿Cómo evitar la imagen costumbrista que remite a añejas ferias mundiales? ¿Cómo abstraerse u omitir discursos construidos por el imaginario de una dictadura? ¿Cómo reconsiderar una historia (oficial) donde el colonialismo genera el capitalismo neoliberal? ¿Cómo devolver la mirada del “exotismo” sobre un país europeo? ¿Cómo conocer Portugal? ¿Qué es Portugal?

Estos cuestionamientos, que pueden hacerse de igual manera sobre Chile y la “chilenidad”, son preguntas encabezadas por el adverbio “cómo”, y hablan de interrogar sobre un “modo”, sobre la forma de acércase a algo que no se conoce, que tal vez se intuya o del que se tenga una imagen totalmente distorsionada por la distancia y el tiempo. Estas son preguntas que plantean estrategias de aproximación sobre la historia de un país, pero a través de imágenes del presente. 

Con “Incognitum” queremos plantear primeramente que sabemos muy poco los unos de los otros (Chile y Portugal), pero también aludimos al periodo de los descubrimientos y el colonialismo europeo que conforma los actuales estados nacionales; pero esta imagen se sobrepasa a si misma llevando particularmente a los artistas portugueses o lusófonos a presentar Portugal como una tierra desconocida, compuesta por diversas y a veces contradictorias capas de información, desde la construcción Salazarista sobre el pasado imperial y colonial de Portugal, a la mirada paternalista sobre las excolonias después de la Revolución del 25 de Abril.

“Terra Incognita” era el concepto con el que se designaban los territorios inexplorados en los antiguos mapas, es decir, la tierra desconocida por los cartógrafos europeos de la época de las exploraciones y “descubrimientos”. La Terra Incognita era todo aquel territorio más imaginario que real que estaba fuera de la comprensión y conocimiento europeo; era el “otro” oscuro y extraño por conquistar. El fetiche exótico que poseer.

A su vez en Chile, el “historicismo” permanente de las practicas artísticas en una tozuda dependencia colonial, en un querer ser otro al modo del centro hegemónico del momento, haya sido Madrid, París, Londres o New York, hemos olvidado una parte fundamental de la historia chilena, un país pequeño que comparte muchas características en común con Portugal.

El “descubrimiento”, “conquista” y “colonización” de América comienzan con el “Tratado de Tordesillas”, un acto arbitrario mediante el cual, en 1494, el Papa Alejandro VI divide el mundo entre las coronas de España e Portugal, dejando las Indias Occidentales a España y las Orientales a Portugal. Desde ahí adelante, la construcción de la historia correrá por el lenguaje o imperio dominante, hasta llegar a las lecturas decolonialistas sudamericanas, que cuestionan dichos constructos.

Por su parte, Portugal fue el país europeo que mantuvo durante más tiempo un régimen colonial, hasta mediados de los años 70 del siglo pasado. No sólo los países colonizados si no que también los países colonizadores están viviendo un periodo post-colonial. En el caso portugués, el pasado colonial es reciente que ha dejado heridas abiertas y muchas veces el silencio, lo que no significa de ninguna manera indiferencia, frente a un pasado que es doloroso para todos: para quien fue colonizado, así como, para quien colonizó y para quien descolonizó.

De Portugal, en Chile no sabemos casi nada, de hecho, desconocemos una permanente corriente migratoria portuguesa que llego durante la Colonia y la República, al punto de que damos por españoles apellidos tradicionales chilenos como lo son Cousiño, Barros, Pinto, Correa, Antunes, Pereira, Santana, Almeida, Andrade, Ferreira, Saldaña, Costa, Nogueira, etc.

De Chile los portugueses también saben poco o nada. Los de generaciones mayores conocen el periodo de la Unidad Popular y el Golpe de Estado que derrocó a Allende y el exilio que llevó a algunos chilenos a Portugal, así como, a conocidos artistas como Raúl Ruiz a buscar un paisaje afectivo que lo acercara a su país natal.

No obstante, nuestros países comparten un violento historial sísmico una extensa costa que abarca la longitud total de nuestros territorios y  en el siglo XX un sistema dictatorial que marcará el desarrollo sociocultural de ambos países. Inevitablemente este proyecto instala una relectura política del “descubrimiento”, donde los curadores y artistas participantes cuestionan el presente, creando una muestra que no ofrezca una imagen de país como una postal costumbrista y turística, sino un contexto transcultural en constante movimiento, una encrucijada de cuestionamientos donde, tal vez, se vislumbren nuevos paradigmas de encuentro sudamericanos e ibéricos.

Al cumplirse los 500 Años de la Circunnavegación de Fernão de Magalhaes, queremos que nuestras culturas se encuentren y se conozcan mejor a través de los lenguajes artísticos.

EJES CURATORIALES Y ARTISTAS SELECCIONADOS

La exposición y artistas seleccionados se articulan en torno de tres ejes:

  1. La Reflexión post o decolonial.
    1. Lo Incógnito o aquello que desconocemos o percibimos mediante nuestros condicionamientos culturales.
    2. El Viaje o transito, no tanto en el sentido físico de desplazamiento de un lugar a otro, como en el sentido psicológico de viaje interior tal como fue descrito por Fernando Pessoa: “La mejor manera de viajar es sentir”.

Los artistas seleccionados son de Portugal y Chile, lo que no implica que necesariamente tengan la nacionalidad portuguesa o chilena o que residan en el país correspondiente, es decir, se trata más de pertenecer a una geografía afectiva, cultural o vivencial que a una nacionalidad.

Lista de artistas:

  1. Ana Vaz (1968, Brasília, Portugal; vive en Lisboa)
  2. Andrea Wolf (1975, Santiago de Chile, vive en New York, USA.)
  3. Anelys Wolf ( 1974, Valdivia, Chile; vive en Ancúd, Archipiélago de Chiloé-Chile)
  4. Ângela Ferreira (1958, Mozambique; vive en Lisboa-Portugal)
  5. Claudio Correa (1972, Arica ,Chile; vive en Barcelona-España)
  6. Délio Jasse (1980, Luanda-Angola; vive en Lisboa e Milão)
  7. Demian Shopf (1975, Frankfurt am Main, Alemania, vive en Santiago-Chile)
  8. Enrique Ramírez (1979, Santiago de Chile; vive en Paris-França)
  9. Fernando Prats (1967, Temuco, Chile; vive en Barcelona-Espanha)
  10. Filipa César (1975, Porto-Portugal; vive en Berlin-Alemanha)
  11. Francisco Navarrete (1986, Santiago de Chile; vive en Barcelona-Espanha )
  12. Francisco Vidal (1978, Lisboa; vive en Lisboa-Portugal)
  13. Kiluanji Kia Henda ( 1979, Luanda-Angola; vive en Lisboa e Luanda)
  14. Luciana Fina (1965 Bari-Italia; vive en Lisboa, Portugal)
  15. Mónica Bengoa (1969, Santiago de Chile; vive en Santiago-Chile)
  16. Narelle Jubelin (1960, Sidney, vive en Madrid)
  17. Salomé Lamas (1987, Lisboa; vive en Lisboa-Portugal)
  18. Sebastian Jatz (1980, Santiago de Chile: vive en Santiago – Chile)
  19. Vasco Araújo (1975, Lisboa; vive en Lisboa-Portugal)
  20. Voluspa Jarpa (1971, Rancagua, Chile; vive en Santiago-Chile)